Este blog tem como objetivo fazer a divulgação do produto educacional "O Jogo do Espião", produzido no âmbito do Programa de Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT) do IFTO - Campus Palmas. Espera-se que por meio deste canal professores de todo o país possam ter acesso ao jogo bem como orientações para aplicá-lo em sala de aula.
A ideia de criar este blog surgiu no decorrer da disciplina eletiva EDUCAÇÃO E TECNOLOGIAS sob a orientação do professor Dr. Claudio Monteiro do IFTO-Palmas.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

O código Morse

        A necessidade de se expressar uns com os outros é um atributo imanente dos seres humanos, sua capacidade de transmitir e acumular informações é uma das principais características que nos distingue dos demais animais. A voz humana é o meio mais natural em que se processa a comunicação. Até mesmo na Grécia antiga os primeiros filósofos costumavam repassar seus ensinamentos apenas oralmente, uma comunicação direta entre o emissor (locutor), aquele que emite a mensagem e o receptor (interlocutor), aquele que a recebe e a decodifica, no caso dos filósofos gregos, mestres e aprendizes.
          Foi a necessidade de deixar registrada uma informação que deu a origem a escrita, a invenção do alfabeto, seja ele em qualquer língua ou cultura, representou um avanço gigantesco nos processos de comunicação, todavia na era primitiva os homens já registravam informações nas paredes de cavernas através de pinturas rupestres, segundo (EVOLUÇÃO..., 2010, p. 1) “Os primeiros registros de comunicação escrita datam de 15.000 a.C., com a descoberta de desenhos em cavernas na África”. Desde então, os meios de comunicação vêm se desenvolvendo a medida que a própria sociedade necessita de processos mais eficientes e rápidos para se comunicarem. Os primeiros registros de um sistema que pode ter usado os princípios característicos de comunicações a longa distância também vêm da África, com “o emprego de sinais sonoros por tambores, por tribos africanas e em outros continentes, o emprego de sinais de fumaça por índios, na América do Norte” (EVOLUÇÃO..., 2010, p. 1), por exemplo.
         Um fato curioso que explica essa necessidade ocorreu em 490 a.C. quando o Império Persa decidiu invadir a Grécia. A estratégia dos persas era desembarcar na praia de Maratona e marchar até Atenas, onde violariam as mulheres e sacrificariam as crianças, ao saber desses planos, os gregos antes de partirem para a guerra, orientaram suas esposas a matar os filhos e se suicidarem caso não vencessem a batalha. Vencedores, os gregos precisavam comunicar a vitória a Atenas, assim o general Milcíades deu a Fidípedes, um exímio corredor, “a missão de percorrer o mais rápido possível os cerca de 40 km entre Maratona e Atenas para levar a mensagem do triunfo sobre os persas e evitar que as mulheres executassem o plano” (PRIMEIRO..., 2016, p. 1). Segundo a história, Fidípedes morreu após chagar a Atenas e entregar a mensagem. Tal fato inspirou a famosa prova de atletismo Maratona.
          Esses e outros fatos fizeram da necessidade de se comunicar a longas distâncias um motivo de estudo para muitas pessoas em diferentes lugares e épocas. Com o avanço das ciências e principalmente dos estudos relacionados a eletricidade e magnetismo, surge o telégrafo, um aparelho ligado por fios e eletroímãs, que se utiliza da emissão de impulsos eletromagnéticos para de enviar mensagens a longas distâncias. O telégrafo é considerado uma das grandes revoluções dos meios de comunicações sendo um dos primeiros sistemas modernos de comunicação. A palavra telégrafo é de origem grega, sendo Tele de distância e Grafo de escrita, ou seja, escrever à distância. A história acerca da invenção deste aparelho é controversa e conta com a contribuição de várias pessoas até o desenvolvimento final desse equipamento e seu uso definitivo como meio de comunicação a longa distância.
        Antes do telégrafo elétrico outros tipos de telégrafos formam criados. Em 1791, surgiu na França, com as experiências do engenheiro Claude Chappe, o primeiro telégrafo realmente prático. Seu invento consistia num aparelho de sinalização óptica composto de um poste com uma barra transversal superior, em cujas extremidades giravam duas barras menores. As posições dessas barras simbolizavam palavras ou letras e ligavam as cidades de Paris e Lille. Tal aparelho tinha uma limitação, por ser óptico, sua utilização dependia das condições de visibilidade local e também a transmissão das informações, de um ponto a outro não poderia ser grande.
     No final do século XVIII e início do século XIX muitas experiências utilizando a eletricidade foram feitas com intuito de criar um aparelho que pudesse enviar mensagens a longas distâncias. Com a invenção do eletroímã, em 1825, pelo britânico William Sturgeon iniciou-se uma nova era de experimentos e aparelhos que revolucionariam a comunicação eletrônica. Já em 1830, o norte-americano Joseph Henry conseguiu demonstrar todo o potencial do eletroímã “para comunicação a longa distância enviando uma corrente eletrônica por mais de um quilômetro de fio para ativar um eletroímã, fazendo um sino tocar” (BELLIS, 2019, p. 1). Já em 1837, novamente dois britânicos, William Cooke e Charles Wheatstone patentearam o um equipamento usando o mesmo princípio do eletromagnetismo.
         Todavia foi o americano Samuel Finley Breese Morse (1791-1872), que ficou mundialmente famoso pelo uso do telégrafo. Morse não era engenheiro e nem físico, era professor universitário do curso de artes. Em meados da década de 1820, na Europa, ele começou a se interessar pelas pesquisas sobre comunicações, principalmente no que diz respeito a transmissão de textos a longa distância, tanto que abandonou sua profissão para se dedicar a telegrafia. Como já mencionado, o telégrafo foi resultado de estudos e pesquisas de muitas pessoas, inclusive muitas transmissões eram feitas mesmo antes do invento de Morse. No entanto foi ele quem idealizou e construiu um equipamento que realizou de maneira eficaz, rápida e simples uma transmissão a longa distância. Desse modo o sistema telegráfico:

Desenvolvido por ele teve uma extraordinária vantagem, menos pelo equipamento em si (que também era bom por ser simples e barato) mas, principalmente, pelo código criado por Morse, que permitiu, com o som, que operadores treinados pudessem receber e enviar textos em volume e rapidez. Esta possibilidade se estendeu, não só para transmissões com fio, como também com o uso, mais tarde, de sistemas radio (sem fio) e outros meios, como as comunicações entre navios por holofote, sempre usando o código Morse, como ficou conhecido. (EVOLUÇÃO..., 2010, p. 8)


O equipamento de Morse era tão simples que possuía apenas um fio, e para transmitir uma mensagem de um local a outro ele precisou desenvolver um aparelho que emitisse e receptasse sons através de impulsos elétricos.

                                      

       Assim ele criou um código binário representado apenas pelos caracteres, ponto e traço. Para emitir cada caractere, ele determinou três marcas de tempo “as quais ele denominou de ponto (quando o operador fechava contato no equipamento, por apenas 1 seg); traço (quando o operador fechava contato no equipamento, por 3 segs) e espaço (uma pausa maior para separar palavras) (EVOLUÇÃO..., 2010, p. 5, grifo do autor). Obviamente os operadores do telégrafo de Morse eram pessoas treinadas tanto para emitir, e principalmente receber os códigos, uma vez que dependiam da audição devidamente treinada para compreender os códigos.
         Para enviar os textos ele desenvolveu uma árvore contendo os caracteres ponto e traço, ao qual posteriormente ele associou ao alfabeto. Veja o desenvolvimento da árvore de códigos criada por Morse.

      
Observe que para os códigos iniciados com o ponto, para cada deslocamento feito para baixo repete-se o caractere que está imediatamente acima. Para cada deslocamento para a esquerda acrescenta-se um ponto e para a direita um traço. A mesma ideia foi usada para os códigos iniciados com o traço.

        Observe agora que para os códigos iniciados com o traço, para cada deslocamento feito para baixo repete-se o caractere que está imediatamente acima. Para cada deslocamento para a esquerda acrescenta-se um traço e para a direita um ponto.
        Para associar estes códigos ao alfabeto, Morse fez um estudo sobre o emprego das letras que mais eram utilizadas na língua inglesa, e observou que a letra E e a letra T eram as mais usadas, daí ele associou E ao ponto e T ao traço. As demais letras foram associadas ao seu código obedecendo esta mesma regra, ficando assim estabelecido o alfabeto Morse.

        Em 1835 Morse registrou a primeira patente do seu aparelho de telégrafo. Em 1840 ele buscou recursos junto ao governo americano para financiar seu projeto experimental, para convencer os governistas ele e seu sócio, Alfred Vail, fizeram uma transmissão entre as cidades de Baltimore e Annapolis que acabaram por convencê-los do potencial de seu aparelho. Assim segundo (EVOLUÇÃO..., 2010, p. 7):

No dia 24 de maio de 1844 foi passada a famosa mensagem “What hath God wrought” pelo transmissor localizado em um gabinete da Congresso americano em Washington, e recebida com sucesso em Baltimore, onde se encontrava seu sócio Alfred, o qual respondeu e a experiência foi concluída com sucesso.

            Após a invenção de Morse, outros tipos de telégrafos foram inventados, empresas de comunicação foram criadas e o uso do telégrafo juntamente com o código Morse se expandiu praticamente para todas as grandes nações, inclusive no Brasil. O telégrafo e o Código Morse começaram a perder espaço com a invenção do telefone em 1876 por Alexander Graham Bell.

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